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segunda-feira, 14 de março de 2016

ENTREVISTA: Armagedom

Conversamos com o Javier da banda Armagedom, esta que está na ativa desde os anos 80. Ele nos falou sobre mudanças na formação da banda, sua trajetória, novidades e sobre o levante fascista que tem atingido até mesmo o cenário underground. Confira essa aula!


SCUM- O Armagedom está ativo desde meados dos anos 80 com mudanças na formação. Como vocês avaliam a mudança do cenário underground nacional?
O que havia de positivo que deixou de existir. O que melhorou e o que piorou? Quais foram os pontos mais importantes na trajetória da banda?

Mudou muito em vários aspectos. A cena está muito maior, mais gente em mais cidades então está mais forte. A Internet ajudou muito a todos terem acesso aos sons, material, conhecimento, idéias, com certeza a internet melhora o acesso de todos, distribui o conhecimento com muito rapidez. Além disso, está muito, muito, muito mais fácil comprar instrumentos musicais, aprender a tocar e até gravar. Hoje é possível gravar na sua casa com qualidade, algo que não existia nos anos 80. A repressão está muito menor o que ajuda as pessoas a se expressarem mais facilmente. Tudo isso levou ao aparecimento de muitas bandas novas e boas o que mantem a cena viva. Mas por outro lado me parece que a facilidade trouxe uma superficialidade, anteriormente como tudo era muito difícil, quem estava nisso tinha que gostar muito e lutar muito pelo que queria, fosse um LP de uma banda, uma camiseta, um patch ou uma guitarra. Então voce valorizava muito todas as suas conquistas. Hoje vejo muitas bandas aparecendo e sumindo de um momento para outro o que acho uma pena. Além disso, a cena está muito mais fragmentada do que era nos anos 80, agora tem os anarcos, os crusties, grind, os straight edges, os metal punks, os raw punks, street e por aí vai... e uns não vão nos shows dos outros. Embora a cena como um todo esteja grande acaba por gerar pequenos guetos que não se misturam e somente criticam os outros o que enfraquece o todo. Acho isso uma pena.
Em relação aos pontos mais importantes na trajetória da banda, nos anos 80 tivemos a participação na coletanea Ataque Sonoro que nos ajudou muito e depois o lançamento do LP SIlêncio Fúnebre que marcou o estilo da banda. O retorno em 99, o lançamento dos discos Das Cinzas ao Inferno, Sem Esperanças, Dez Mil Anos de Terror e o split LP com o Força Macabra, as quatros tours que fizemos na europa e a participação nos festivais Enemy of Sun 2013 em Praga e Puntala Rock na Finlandia e com certeza vários shows em vários lugares!!
SCUM - Em 2015, o baterista Spaguetti deixou a banda para a entrada do Pedro Pedrunk. Quais foram as principais mudanças que essa troca trouxe para a banda?
São dois bateristas muito bons com estilos diferentes.
Em uma banda com muito tempo de existência as mudanças podem ocorrer. Nós preferimos que os novos integrantes tragam suas influências e estilos tambem para a banda, não somos imutáveis ou temos uma linha musical rígida, temos um estilo que pode se moldar com novas idéias, isso aparece ao longo de toda a história da banda.
O Spaguetti trouxe uma velocidade incrível na banda, foi um período bem interessante que pudemos tocar os nossos sons de um modo diferente, foi muto legal esse período, alguns sons ficaram bem rápidos como Mortos de Fome por exemplo!!!
Com o Pedro, retornamos a uma pegada dbeat mais pesada o que remete mais as origens da banda. Tanto os sons antigos quantos as novas gravações estão nessa pegada. Sons como Asilo na Existência e Cegos por Ódio ficaram com uma pegada sensacional!!!
Estamos muito felizes com esta formação atual e os novos sons estão muito legais!!!
SCUM - As letras do Armagedom são, geralmente, críticas. Quem as escreve? Fale um pouco sobre o processo de composição.
No início todas as letras eram minhas (Javier), isto foi a época do Princípio da Agonia, Silêncio Fúnebre. No início dos anos 90 o Eduardo tambem começou a compor letras. Quando retornamos em 99, O Claudinei tambem começou a compor letras, por exemplo no album Sem Esperanças a maior parte das letras é do Eduardo e algumas são do Claudinei. Agora a maior parte da letras é composta pelo Renato Gimenez.
Não temos um processo definido de letras mas todos sabem a proposta da banda e procuram escrever suas letras dentro dessa proposta e assim os sons se formam.
SCUM - A banda possui vários lançamentos entre álbuns, EP’s, splits e coletâneas. Podemos esperar novos lançamentos? Se sim, em que formato?
Estamos para lançar um split EP com o Nuclear Frost, tambem temos material da época do Spaguetti para lançarmos um EP nosso e já temos garvações para um novo disco, talvez um 10" ou LP com o Pedro. Preferimos vinil normalmente mas pode ser que saia algo em CD tambem.
Além disso temos um DVD do show de trinta anos pronto e tambem uma gravação em video do show em Puntala, a idéia é lançar os dois materias juntos ou separados.
SCUM - Qual é a opinião de vocês sobre a insurgência de movimentos reacionários de cunho direitista e até mesmo fascista em meio ao underground? Qual a posição da banda diante desse cenário?
Nós vemos o proto fascismo e a direita reacionária se espalhando em vários lugares. No meio underground isso tambem está acontecendo. Se não diretamente, indiretamente através de mensagens de ódio puro e simples de bandas com as idéias mais idiotas possíveis. Muita gente vai atrás disso, parece que muita gente quer odiar e ter uma bandeira para justificar seu ódio. Já vi isso no passado algumas vezes e está de volta novamente. Temos que combater esse fascismo e tambem combater o ódio puro.
SCUM - Indiquem 3 bandas nacionais que vocês realmente ouçam.
Ultimamente temos ouvido novas bandas como Nuclear Frost, Disturbia Cladis, Social Chaos, Helvetin Viemarit e Fear of Future
SCUM - Quais foram os fests mais legais e bem organizados que vocês participaram nos últimos tempos?
Com certeza foram os festivais Puntala Rock na Finlandia e o Enemy of Sun na Republica Tcheca, foram festivais fantásticos!
SCUM - Obrigado pela entrevista. Esse espaço é de vocês, usem como quiserem.
Valeu pelo espaço, o Armagedom continua na ativa não somente tocamos mas tambem compondo novas músicas, mantendo a banda realmente viva.
Quem quiser entrar em contato, no facebook é armagedom the deathcore, o email é armagedom@hotmail.com e a página web é www.armagedom.org.
Abração!!